Capa da Newsweek aos 29 anos, três reinvenções de negócio e um retorno à passarela em plena Semana de Moda de Nova York: foi com esse currículo que Diane von Furstenberg recebeu, na tarde de quinta-feira, o Couture Council Award 2026, honraria do Museum at the Fashion Institute of Technology (FIT) para quem transformou a moda feminina.
O almoço de homenagem aconteceu no Gotham Hall, em Nova York, e reuniu nomes de peso do setor. Entre os convidados estavam Martha Stewart, Linda Fargo, Narciso Rodriguez, LaQuan Smith, Nicole Miller, Candace Bushnell, Fern Mallis e Jonathan Cohen. Antes de a cerimônia começar, a estilista comentou que era incrível ver tantas pessoas com quem havia cruzado ao longo do caminho.
Uma noite de reencontros e de ex-aluno de FIT
Quem abriu a programação foi Henry Zankov, diretor artístico da DVF e fundador da própria marca, a Zankov. Formado pelo FIT, ele falou em um momento de círculo completo e contou que Diane costuma repetir que estilistas são como arquitetos: precisam entender como uma peça é feita, como ela se move e o que faz a mulher sentir. Zankov apresentou sua primeira coleção para a DVF em setembro, na High Line.
Jason S. Schupbach, novo presidente do FIT, agradeceu à homenageada por apoiar jovens criadores, em especial mulheres. Chamou a atenção para os caminhos de mesa, estampados com um desenho da DVF usado há mais de três décadas. Também foi entregue o prêmio estudantil do museu a Chloe LaBel, aluna de história da arte e profissões de museu, turma de 2027. Valerie Steele, diretora e curadora-chefe do Museum at FIT, agradeceu a Diane pela vida e pelo trabalho inspiradores.
“Força da natureza”, nas palavras de Vanessa Friedman
Coube a Vanessa Friedman, diretora de moda e crítica-chefe de moda do The New York Times, entregar o troféu. Ela listou títulos como estilista, empreendedora, feminista, ativista, filantropa, mãe, avó e ícone, mas disse preferir “força da natureza”, porque nenhum rótulo sozinho dá conta de Diane. Lembrou que a mãe da estilista, sobrevivente do Holocausto, ouvira que nunca teria filhos, e que Diane, sem formação em design, chegou a Nova York e criou um negócio de moda que a levou à capa da Newsweek aos 29 anos.
Friedman destacou ainda que Diane reinventou a empresa três vezes e voltou à passarela em setembro, durante a Semana de Moda de Nova York. Fora da moda, a estilista mudou a paisagem da cidade por meio da Diller-von Furstenberg Family Foundation, que cuida da High Line e da Little Island. Presidiu o CFDA por mais de uma dúzia de anos e, segundo a crítica, ajudou a salvar a Estátua da Liberdade. Entre os prêmios estão o de Chevalier de la Légion d’Honneur e a entrada no National Women’s Hall of Fame.
Um dos trechos mais marcantes foi sobre a franqueza da estilista. Friedman contou que Diane lhe disse, em entrevista, quando a empresa foi reestruturada na pandemia, que não há vergonha em admitir que se está em apuros. Também lembrou que ela permitiu que uma equipe de documentário a filmasse logo cedo, subindo na pia para se maquiar. A crítica acrescentou que a qualidade que mais admira em Diane é nunca parar, às vésperas de seus 80 anos.
A honraria reforça um ponto que interessa a quem acompanha o mercado de luxo: a DVF, marca famosa pelo vestido envelope, vive uma nova fase criativa com Zankov e com a volta da fundadora aos holofotes. O reconhecimento de uma instituição como o Museum at FIT confirma que a trajetória de Diane já é parte da história da moda, e não só de uma grife.





