Um casaco corta-vento tecido inteiramente com fibras de celulose de madeira acaba de ganhar espaço na lista das Melhores Invenções de 2026 da revista americana Time. O responsável é a Armedangels, marca de moda sediada em Colônia, na Alemanha, que levou o reconhecimento na categoria de roupas de proteção contra o clima (outerwear) com uma peça feita 100% de Tencel Lyocell.
O modelo custa US$ 298 (cerca de R$ 1.600, em conversão aproximada) e é apresentado como o primeiro corta-vento com casca em ripstop, o tecido de trama reforçada, produzida só com fibras celulósicas de origem vegetal. A peça nasceu de uma parceria com o Lenzing Group, fabricante do Tencel, a consultoria têxtil Montebelo e a tecelagem Hermin Textile.
Por que a Time prestou atenção
A revista explicou o problema que o casaco pretende resolver. Segundo a Time, corta-ventos costumam ser feitos de sintéticos derivados de petróleo, como poliéster e náilon, e recebem tratamentos com os chamados “produtos químicos eternos”. São eles que tornam a roupa à prova de vento, resistente à água e durável, mas também a transformam, nas palavras da publicação, em um “pesadelo ambiental”.
A Armedangels diz ter seguido o caminho inverso. Segundo a marca, o casaco oferece proteção contra o vento, respirabilidade e leve repelência à água sem membranas plásticas, fios sintéticos ou acabamentos químicos nocivos.
Como a madeira vira proteção contra o vento
A Hermin Textile tece fios ultrafinos de lyocell em um ripstop denso e depois o compacta com calor. O processo aumenta a densidade do tecido e garante até 97% de resistência ao vento. Em garoas leves, o inchaço natural das fibras, somado a um acabamento livre de PFC (compostos perfluorados), controla a umidade.
O cuidado vai além do tecido. Os aviamentos são 99,9% naturais e sem base de petróleo: a fita do zíper é de algodão, as ferragens são de metal e os punhos são de borracha natural. As empresas descrevem o casaco e a colaboração como um marco para a moda sustentável de uso cotidiano.
Martin Höfeler, fundador e CEO da Armedangels, contou que tudo começou com uma pergunta simples. “O outerwear de desempenho é uma das categorias em que a indústria ainda depende quase totalmente de poliéster, poliamida e acabamentos químicos. Então perguntamos: um tecido feito de madeira consegue fazer o que o outerwear costuma exigir dos sintéticos?”, afirmou. Com os parceiros, segundo ele, a marca encontrou uma primeira resposta, que mostra que “a pergunta valeu a pena”.
A lista da Time reúne 300 produtos em várias categorias e também citou, em moda e atividades ao ar livre, a jaqueta American Trench Ventile Shell, de algodão impermeável com fio AMSilk, uma seda sustentável inspirada em teias de aranha, e o Salathé Sun Hoodie, da Royal Robbins, com proteção contra mosquitos sem química. O recado para o mercado de luxo e de moda é claro: materiais alternativos deixam de ser promessa de laboratório e passam a disputar espaço em peças práticas, com preço definido e desempenho comprovado.





