Uma marina para iates de mais de 70 metros que não tem estaleiro, área de manutenção nem loja de material náutico. É assim que será o Port Nimara, primeira marina de superiates de Anguilla, no Caribe, com inauguração prevista para 2027. Em vez de serviços para barcos, o projeto aposta em experiências para quem está a bordo e para quem fica em terra.
São 118 vagas, e o complexo comporta embarcações de até 240 pés, ou cerca de 73 metros, e até maiores. Em torno do cais ficarão um resort cinco estrelas da Equinox, residências privadas à beira-mar com a marca do hotel, o Beaufort Yacht Club, restaurantes e boutiques de alto padrão. Para David Mizrahi, CEO do Port Nimara e da incorporadora SF Investments, o foco está no que as pessoas desejam, e não no que os barcos precisam. Ele resume que a marina moderna não é um estacionamento de embarcações.
Do estacionamento de barcos ao endereço de prestígio
Durante décadas, era justamente assim que as marinas eram vistas. Agora elas disputam o papel de destino por conta própria, com hospedagem e gastronomia de alto nível, áreas de bem-estar e uma agenda de atividades e eventos que transformam portos em refúgios de luxo.
Em Palma, nas Ilhas Baleares, o Club de Mar-Mallorca é um exemplo recente. A reforma durou cinco anos e custou mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 550 milhões, em conversão aproximada). As estruturas antigas foram demolidas e deram lugar a quatro edifícios com academia, spa, lojas de luxo e áreas exclusivas para sócios. Um detalhe importante: novas passarelas para pedestres convidam o público a entrar em um terreno que antes era fechado.
Em Singapura, a One°15 Marina Sentosa Cove também aposta nessa vida à beira-d’água. Segundo o gerente-geral Nick McLaughlin, esse estilo de vida é um dos principais motores de adesão, já que nem todos os sócios têm embarcação. A comunidade conta com zonas de bem-estar, espaços de coworking, passeios de veleiro em grupo, calendário social o ano todo e acordos de reciprocidade com mais de 220 outros clubes. A marina abriga ainda o único bar flutuante de Singapura.
Um público novo e o fim da lógica do clube fechado
O fenômeno é impulsionado por uma geração mais jovem de proprietários. Mitja Mirtič, CEO da corretora de charter Goolets, descreve um cliente que passa o dia ancorado em uma baía isolada e, à noite, entra de propósito na marina para ter o contraste entre privacidade e energia social. Com isso, as marinas assumem funções que cabiam aos iate clubes, e a filiação passa a dar acesso a uma oferta mais ampla de hospitalidade e convívio.
Ben Martin, sócio da firma de arquitetura HKS, que já assessorou projetos como o YCCS Costa Smeralda e o Porto Montenegro, no Mediterrâneo, sintetiza a mudança. Segundo ele, o iate clube tradicional diz “pertença a este lugar”, enquanto a marina contemporânea diz “venha e junte-se a nós”.
O que isso significa na prática: o luxo náutico deixa de se medir só pelo tamanho do casco e passa a incluir o que acontece quando se desembarca. Para o mercado de hotelaria e de imóveis de alto padrão, a marina vira mais uma vitrine de estilo de vida, e quem pensa em navegar pelo Caribe, pelo Mediterrâneo ou pela Ásia já tem novos endereços para colocar no roteiro.





