Para Kelly Piquet, joia boa é a que carrega uma história. Em entrevista à edição 11 da ForbesLife Fashion, a modelo conta que as peças de que mais gosta são presentes da família e que, para ela, usá-las é uma lembrança e quase uma proteção, um amuleto.
Uma de suas primeiras joias importantes, recebida por volta dos 20 anos, era da Tiffany & Co., e dali nasceu a ligação com a maison. Hoje, entre as criações de que mais gosta está Bird on a Rock, assinada por Jean Schlumberger.
Moda sem pressa e armário afetivo
Aos 38 anos, Kelly define o próprio estilo como feminino, atemporal e confortável. Ela diz ter ficado bem menos consumista e adotou um teste simples antes de comprar: vou usar isso muito? Quantas vezes? Suas grifes preferidas são Saint Laurent, Chanel e Khaite.
O gosto pela moda vem de casa. Sua mãe, a ex-modelo holandesa Sylvia Tamsma, sempre teve um olhar apurado, e Kelly guarda até hoje roupas que herdou dela. A carreira, aliás, não estava nos planos iniciais. Formada em relações internacionais e ciências políticas, ela sonhava em trabalhar nas Nações Unidas. A moda apareceu quando uma amiga conseguiu um estágio como assistente de stylist na Vogue Latinoamérica. Depois vieram passagens pela Bergdorf Goodman, pela agência KCD e pela Schutz.
Mônaco é casa, o Brasil é identidade
Filha do tricampeão mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet, Kelly nasceu na Alemanha e cresceu entre Mônaco e o Brasil. Também morou nos Estados Unidos e na Inglaterra, até voltar ao principado há quase 10 anos. Vive lá com o companheiro, o piloto Max Verstappen, e as duas filhas: Penelope, de sete anos, da relação anterior com o piloto Daniil Kvyat, e Lily, de um ano, filha do casal.
A rotina é bem menos cintilante do que a imagem do principado sugere: levar Penelope à escola, passar tempo com a caçula e trabalhar muito de casa. Kelly se diz caseira e gosta do contraste entre a agitação dos grandes eventos e o clima de cidade pequena que Mônaco recupera depois deles.
Mesmo com a vida construída fora, é ao falar do Brasil que ela fica mais emotiva. Segundo Kelly, a distância só reforçou a identidade brasileira, que aparece na espontaneidade, na proximidade com as pessoas, no humor e no apego à família. Muitas de suas amigas de infância são brasileiras, e a amizade já se estende à geração das filhas. “Eu amo o Brasil. Conto os dias para voltar”, afirma.
O depoimento mostra que, no universo do luxo, o que mais dura não é a etiqueta, e sim a memória. Um armário enxuto, joias herdadas e uma identidade que atravessa fronteiras compõem um retrato de elegância que dispensa excessos.





