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Estilo

Estudo do MIT e especialistas alertam: IA pode empobrecer a criatividade na moda

Agências, fotógrafos e estilistas já usam IA em moodboards e apresentações. Pesquisas sugerem que isso pode enfraquecer a originalidade de quem cria.

Redação Novidades e Joias
20 de outubro de 2026, 06h11 · 4 min de leitura
Estudo do MIT e especialistas alertam: IA pode empobrecer a criatividade na moda
Arte: Novidades e Joias

Moodboards, apresentações para clientes, listas de fotos e visualizações de peças: a inteligência artificial generativa já está nas primeiras etapas do trabalho criativo da moda, e de forma discreta. Conversas da Vogue com agências, fotógrafos e alguns estilistas indicam que isso virou o “novo normal”, impulsionado pelo ritmo implacável do ciclo de produção do setor. Agora, pesquisadores começam a perguntar o que esse hábito faz com o cérebro de quem cria.

A moda costuma criticar o “lixo” de IA que chega ao consumidor, mas fala menos da preguiça que a tecnologia pode estimular nos bastidores. Para os especialistas ouvidos pela revista, o maior risco é recorrer às sugestões da máquina logo no início do processo, o que tende a uniformizar o resultado de todo mundo. Os mais vulneráveis seriam os profissionais em início de carreira.

O que dizem os estudos

Giorgia Lupi, sócia do escritório de design Pentagram, diz temer que os jovens designers de hoje não consigam construir o próprio jeito de ver o mundo e de desenhar, por causa da tentação do atalho. Segundo ela, até a busca por inspiração pode ser feita pedindo ideias a um chatbot antes de sentar para pensar de verdade.

Em 2025, o estudo Your Brain on ChatGPT, liderado pela pesquisadora Nataliya Kosmyna, do MIT, monitorou a atividade cerebral de pessoas que escreviam redações com e sem ajuda de IA. Quem usou o ChatGPT apresentou conectividade neural mais fraca, memória pior do próprio texto e menor sensação de autoria. Kosmyna atribui isso à falta de esforço ao digitar um comando e afirma que pular a frustração de criar algo novo faz da pessoa apenas uma consumidora do “próprio pensamento”.

Outro trabalho de 2025, Creative or Uncreative Partner, do neurocientista Simone Luchini e colegas, concluiu que pessoas que colaboram com IA geram menos ideias originais do que as que trabalham com outra pessoa. Entre duas pessoas, a originalidade ainda crescia ao longo da parceria. Para Luchini, trabalhar com IA reduz a diversidade e concentra as ideias em poucos temas comuns.

Repertório, memória e bom gosto

Roger Beaty, professor de psicologia da Penn State que estuda a criatividade no cérebro, lembra que a memória fornece a matéria-prima das ideias: é preciso saber o que já foi feito para criar algo realmente original. Ela também serve para simular se uma ideia funciona e como será recebida pelos outros. A autora Erica Dhawan, que lança o livro Use Your Brain: Think For Yourself in the Age of AI, compara o cérebro a um músculo que enfraquece quando deixamos de exercitá-lo.

É aí que entra o “bom gosto”, assunto que a Vogue vê como obsessão de 2026. Os especialistas sempre voltam à experiência vivida como o que fortalece a criatividade. A IA pode reunir dezenas de referências dos anúncios de Tom Ford para a Gucci no fim dos anos 1990. Entender por que o anúncio da tanga com a letra G, da coleção Primavera/Verão 1997, foi importante, e como ele trouxe uma nova sensualidade a campanhas de luxo posteriores, exige mais do que recuperar imagens. Depois do desfile da Prada para o Outono/Inverno 2025, Raf Simons disse que os estilistas devem trabalhar com coração, mente, sentimento, conhecimento, respeito pela história e interesse pelo futuro.

Para quem cria moda no Brasil, o recado vale tanto para ateliês quanto para agências: usar IA pode acelerar a entrega, mas o repertório pessoal é o que diferencia uma coleção ou campanha das demais. Segundo as pesquisas citadas, esse repertório só se mantém afiado quando o esforço de pensar continua sendo de quem assina o trabalho.

Com informações de Vogue.