Ir para o conteúdo
Luxo

Bvlgari cria escola de ourivesaria em Valenza e quer contratar 500 artesãos até 2029

Na maior fábrica de joias de uma só marca no mundo, a Bvlgari inaugura a Scuola Bvlgari, com cursos de ourivesaria e cravejamento e diploma validado pelo governo italiano.

Redação Novidades e Joias
18 de outubro de 2026, 20h51 · 3 min de leitura
Bvlgari cria escola de ourivesaria em Valenza e quer contratar 500 artesãos até 2029
Foto: biancamentil / Pixabay

A Bvlgari acaba de dar um passo decisivo para garantir que o ofício que sustenta suas joias não se perca com o tempo: a casa romana criou a Scuola Bvlgari, uma escola de joalheria dentro da Manifattura, em Valenza, no Piemonte. Os cursos recebem alunos de diferentes países, sem limite de idade, e entregam ao final um diploma de joalheria validado pelo governo italiano.

Valenza fica a cerca de 70 quilômetros de Milão e tem a ourivesaria no sangue desde o início do século 19. Foi ali, em 2017, que a Bvlgari inaugurou a Manifattura, pensada como uma ponte entre passado e futuro. De um lado, a Cascina dell’Orefice, casa onde o primeiro ourives da região abriu sua oficina, em 1860. Do outro, uma estrutura de vidro de 1.200 metros quadrados e 13 metros de altura, que reinterpreta a construção original com olhar contemporâneo. As paredes envidraçadas deixam a luz natural entrar, e quem trabalha ali ainda percebe a passagem do dia para a noite, algo raro em ambientes de produção.

A maior fábrica de joias de uma única marca

É na Manifattura que nascem a icônica Serpenti, as coleções B.Zero1 e as estruturas Tubogas. Tudo acontece no mesmo lugar, do derretimento do ouro à finalização de cada peça. Segundo Corinne Le Foll, diretora-geral de joias da marca, a Bvlgari foi a primeira casa de joalheria a reunir todos os seus métiers de produção sob o mesmo teto, e esse controle total, afirma ela, “não é um ‘plus’, mas o básico”.

Em abril de 2025, o complexo ganhou uma ampliação que chegou ao território vizinho de Pecetto di Valenza. Com 33 mil metros quadrados, tornou-se a maior fábrica de joias dedicada a uma única marca no mundo. A equipe saltou de 650 funcionários na abertura para 1.100 hoje, 55% deles mulheres, e a meta é contratar mais 500 artesãos até 2029.

Dois cursos, um legado

A Scuola Bvlgari se soma à Bvlgari Academy, programa de formação em técnicas artesanais para novos funcionários. São dois cursos: ourivesaria, com um ano e meio de duração, e cravejamento de pedras, com um ano. Ambos foram desenvolvidos em parceria com a Tarì Design School, tradicional instituição de Nápoles. Para Le Foll, a escola foi “uma evolução natural”, e proteger cada etapa do Made in Italy é, nas palavras dela, um dever da marca.

A tradição, porém, não exclui a tecnologia. As peças são feitas à mão, mas a casa investe em máquinas e automação, que, segundo a executiva, também contribuem para o design e para melhores condições de trabalho dos ourives.

A sustentabilidade acompanhou a expansão. Segundo Le Foll, o gasto energético não aumentou em relação ao anterior. Os novos edifícios usam um campo geotérmico para aquecimento e resfriamento, e mais de 4.100 painéis fotovoltaicos captam energia solar. Fora do complexo, 8 mil metros quadrados foram reflorestados com espécies nativas, e 10 colmeias, mantidas com um apicultor local, abrigam cerca de 1 milhão de abelhas.

Por que isso importa: num mercado em que a escassez de mão de obra especializada preocupa o setor de luxo, formar a próxima geração de ourives é uma estratégia de negócio tanto quanto de preservação cultural. Ao investir em escola, contratação e produção integrada, a Bvlgari mostra que o savoir-faire, nas palavras de Le Foll, está nas mãos que criam as joias.

Com informações de Forbes Brasil.