Um convento do século 12 no centro de Florença vai virar hotel de luxo com interiores assinados pela Liaigre. A casa francesa de mobiliário e design de interiores sob medida, fundada em 1985, quer transformar o projeto em ponto de partida para crescer nos Estados Unidos, onde o segmento de design francês sob encomenda ainda é pouco desenvolvido.
O responsável por essa missão é Henri Corbin de Mangoux, nomeado em setembro CEO da operação americana. Ele ocupava o cargo de diretor-geral para a Ásia, com atuação no Sudeste Asiático, na Índia e na Oceania. A empresa foi construída pelo falecido Christian Liaigre, arquiteto e designer francês considerado um ícone do ramo. Hoje, a marca é conhecida por interiores, móveis, iluminação e acessórios feitos sob medida, com linhas limpas, proporções refinadas, materiais nobres e a filosofia da “simplicidade luxuosa”. São 23 showrooms pelo mundo e projetos que vão de residências a iates, hotéis e restaurantes.
Hotéis, residências de marca e um convento em Florença
A hotelaria e as residências assinadas por marcas são a segunda frente de expansão. Em parceria com a Capella Hotels and Resorts, a Liaigre trabalha num empreendimento na Via San Gallo, em Florença, instalado em um antigo convento do século 12. A abertura está prevista para o fim de 2027, com serviços Capella e interiores desenhados pela casa francesa.
Segundo o executivo, “isso é só o começo”: a empresa conversa com várias incorporadoras americanas de alto padrão interessadas em residências voltadas a bem-estar, estilo de vida e design. A frente é conduzida pela Liaigre Hospitality Ventures, entidade separada do escritório de design e arquitetura, criada em 2021 por três dos principais acionistas: a família do empresário e colecionador de arte taiwanês Pierre Chen, a asiática Navis Capital Partners e a Symphony International Holdings. Na hotelaria, o currículo da marca inclui o hotel Mercer, em Nova York, o Le Sereno, em St. Barths, o R48 Hotel and Gardens, em Tel Aviv, e o novo Hôtel Costes, na Rue de Castiglione, em Paris.
Um público mais jovem e a vitrine de Miami
A prioridade, diz Corbin de Mangoux, é aprofundar a relação com arquitetos e designers que sempre apoiaram a marca. Ao mesmo tempo, a Liaigre quer alcançar colecionadores de arte mais jovens, empreendedores bem-sucedidos e uma clientela mais eclética, sem abandonar quem valoriza sua estética atemporal. Ele compara o fascínio da marca ao de casas de moda como Tom Ford e Dries Van Noten.
Como o trabalho artesanal e sob encomenda vai na contramão da produção em larga escala, a empresa escolhe com cuidado os projetos de hotelaria e contrato. Nos EUA, mantém showrooms em Nova York e Miami, onde está há 15 anos, no Design District, além de parceiros no Texas, em Los Angeles, San Francisco e Chicago. Em Miami, estuda uma nova experiência que reflita o estilo de vida litorâneo da cidade e avalia projetos futuros por lá e em Palm Beach.
O recado importa para quem acompanha o luxo: em vez de abrir mais lojas no curto prazo, a Liaigre pretende mostrar a marca em endereços-vitrine, hotéis, restaurantes, clubes e residências de grife. É a lógica de uma casa que prefere ser vivida a ser apenas vista, e um indício de que o art de vivre francês ganha espaço entre os consumidores americanos.





