Três trocas de roupa, um vestido de tul[e] com barra “bolha” e um jardim que guarda memórias de infância: assim foi o casamento de Ejae, cantora por trás da voz de Rumi, a líder do grupo fictício HUNTR/X no filme KPop Demon Hunters, com o produtor e programador Samuel Kim. A cerimônia aconteceu em 17 de outubro, em Seul, e foi contada com exclusividade pela Vogue americana.
Para a noiva, o vestido da cerimônia precisava ser etéreo, moderno e atemporal “com um toque diferente”. Ela procurou Danielle Frankel, estilista que admirava pela releitura moderna e levemente transgressora do vestido clássico. O resultado foi um modelo sob medida em tulê, tomara que caia, com barra bolha e uma camada de chiffon cor da pele para dar leveza. As joias foram discretas, para que o vestido fosse o destaque: Ejae usou peças de família que passaram da avó para a mãe.
Três looks, dois estilistas e um smoking branco
Na festa, dentro da grande estufa de vidro do local, a noiva trocou de roupa e vestiu um modelo ajustado ao corpo, também sob medida, assinado por Zac Posen. O tecido é chiffon, como o do primeiro vestido, para manter a atmosfera onírica. A parceria tem valor sentimental: foi Posen quem a levou ao primeiro CFDA Awards, em 2025. Ela pediu a ele um vestido com “efeito uau, mas com brilho”. Para dançar, entrou em cena um minivestido cintilante da Milla Nova.
O noivo também planejou cada detalhe. Samuel quis aprender sobre alfaiataria sob medida e escolheu a Bhambi’s Custom Tailors, de Nova York, para um smoking transpassado clássico em tecido Loro Piana. Na recepção, para combinar com a noiva, Posen criou ainda um smoking branco exclusivo. Segundo Samuel, é uma releitura do traje de festa, além de muito confortável.
O casamento foi planejado em tempo recorde. Os dois se conheceram em maio de 2017, numa sessão de composição no estúdio caseiro dele, e moram no Brooklyn. O pedido veio em 1º de junho de 2025, num parque onde costumavam passear com Honey, a cadela de Ejae, já falecida, e onde amigos haviam montado um piquenique com fotos do casal. Pouco depois, o sucesso do filme mudou a rotina dela. A festa, antes prevista para novembro, na Califórnia, foi transferida para a Coreia e antecipada para outubro, com cerca de quatro meses de preparação.
O jardim da infância e o Paebaek
O local escolhido, o Stage 28, tem história na família: ali ficava a casa onde viveram os avós de Ejae, e ela passou boa parte da infância explorando o jardim e caminhando com o avô pelas colinas atrás da propriedade. O espaço foi depois transformado em local de eventos, e o irmão dela também já se casou ali. A decoração da cerimônia ao ar livre trouxe tons de verde e terrosos, inspirados nas lembranças da noiva e na paisagem. A estufa, com tecidos leves e cortinas esvoaçantes, simbolizou “a vida de hoje”, nas palavras dela, quando os sonhos de anos de dedicação à música viram realidade.
Antes da cerimônia, o casal fez a festa de boas-vindas e o Paebaek, ritual tradicional coreano em que os noivos prestam reverência às famílias, no restaurante Congdu50, de culinária coreana contemporânea, com vista panorâmica da cidade. “Nem todo mundo faz o Paebaek, mas queríamos esse elemento tradicional”, contou Ejae. Já na cerimônia, madrinhas e padrinhos desceram o corredor florido sob aplausos, antes da entrada da noiva.
O casamento mostra como o luxo contemporâneo une o sob medida a afetos e raízes. Para quem sonha com uma cerimônia pessoal, a lição está na combinação de alfaiataria feita para o corpo, joias herdadas e um lugar com significado. Neste caso, a escolha custou meses de agenda apertada, mas deu à noiva o que ela mais queria: estar presente no momento.





