Quem encomendar hoje um Falcon 10X zero-quilômetro pode ouvir que a entrega só acontece em 2030. O alerta vem de Sarah Mespelt Larrañaga, sócia à frente do escritório Sarah Larrañaga Aviation Design, em Los Angeles. A espera longa está empurrando uma parcela cada vez maior de compradores para um caminho alternativo: comprar um jato usado e transformá-lo por dentro e por fora.
Os últimos dois anos foram intensos na aviação privada, com números recordes de vendas. A procura aqueceu as linhas de produção, criou filas e elevou os preços das aeronaves novas, que podem chegar a US$ 75 milhões (cerca de R$ 410 milhões, em conversão aproximada) antes de qualquer personalização. Já a reforma de um modelo seminovo permite ao proprietário receber o avião em meses, e não em anos, por uma fração desse valor.
O que entra na reforma
Os pontos de partida mais populares são o Gulfstream G550 e o G650, os Bombardier Global 6000, 6500 e 7500 e os Falcon 7X e 8X. São aeronaves de confiabilidade comprovada, bom alcance e consumo eficiente de combustível, vendidas entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 110 milhões a R$ 275 milhões). Segundo Larrañaga, o pacote básico de atualização custa em média cerca de US$ 5 milhões (algo como R$ 27 milhões, valor aproximado).
Nesse pacote entram novos aviônicos, sistema de gerenciamento de cabine, equipamentos de cockpit, som e entretenimento, iluminação e internet de alta velocidade Starlink, além de melhorias estéticas internas e externas. Quem quer ir além pode incluir bar de coquetéis ou uma cabine de DJ. “Há tanta tecnologia disponível que conseguimos pegar uma aeronave usada e deixá-la quase mais forte do que quando foi lançada”, afirma a designer, cujo escritório trabalhou em vários projetos do tipo.
A parte mecânica também entra na conta, e pode render economia. James Carroll, da equipe de vendas e aquisições da Duncan Aviation, explica que combinar as atualizações com uma revisão já programada reduz o número de paradas do avião. Pintura, interiores e aviônicos podem ser feitos na mesma visita, e a aeronave volta ao serviço bem renovada e com menos tempo em solo.
Cuidados antes de assinar
Carroll recomenda uma avaliação completa antes da compra, porque tudo começa pela escolha do avião certo. Há outro alerta: nem toda mudança valoriza o jato. Para o analista independente Rolland Vincent, alterações muito personalizadas tendem a diminuir o número de compradores interessados na revenda e o preço que a aeronave alcança.
Por ora, a tendência complementa as vendas de aeronaves novas, sem substituí-las. “Os compradores têm mais de um caminho para cumprir sua missão”, diz Carroll. Os clientes parecem satisfeitos: um deles ligou para Larrañaga de dentro do jato reformado, com a equipe a bordo, e contou que todos trabalharam durante as oito horas do voo de ida e volta, como se estivessem no escritório. Para ela, o trabalho ajuda as pessoas a fazer negócios em outro patamar, “literal e figurativamente”.
Por que isso importa: o jato deixa de ser só símbolo de status e passa a ser um escritório de alto desempenho, que o mercado de luxo agora entrega mais rápido e de forma mais inteligente. Para quem pensa em investir, a lição é equilibrar personalização e revenda.





