Um decanter retrô, 12 anos de envelhecimento e preço de US$ 300 (cerca de R$ 1.650, em conversão aproximada). Assim chega a Tribute Series, nova linha da tradicional Old Forester, marca de bourbon da Brown-Forman, que estreia agora como edição anual e já nasce com cara de item de colecionador.
A garrafa tem uma concorrente dentro de casa: o Birthday Bourbon, lançamento anual muito disputado pelos fãs da marca. A edição 2026 dele tem 11 anos de envelhecimento, vem da produção de um único dia, é engarrafada a 97 proof e custa US$ 250 (cerca de R$ 1.375, valor aproximado). A Tribute Series sobe a aposta: 12 anos, mistura de diferentes datas de produção e 115 proof, o equivalente a cerca de 57,5% de álcool, no padrão americano.
Uma homenagem às primeiras vezes da marca
O decanter se inspira na coleção de fim de ano que a Old Forester lançou nas décadas de 1950 e 1960. Já o conceito da série é celebrar pioneirismos da casa, como os armazéns com ciclos de calor e o método de dupla maturação em barris. Cada edição futura será diferente, mas todas sairão dos estoques mais maduros da destilaria, produzidos em Shively, perto de Louisville.
Segundo o mestre destilador Caleb Trigo, a idade deve aumentar com o passar dos anos, e os próximos rótulos serão engarrafados entre 110 e 125 proof.
Como é o líquido, segundo o crítico
O crítico Jonah Flicker, da Robb Report, afirma que os 115 proof dão calor e corpo sem dominar o paladar. Ele descreve um bourbon escuro e profundo, com notas de torta de cereja, bala de uva, cobertura de creme de manteiga, couro, carvalho, madeira em brasa e até amendoins quentes de carrinho de rua de Nova York. Também percebe mais especiarias do que esperaria de um whiskey mais velho da Brown-Forman. Para ele, o rótulo supera até o Birthday Bourbon mais recente, de que também gostou bastante.
Flicker reconhece que o momento do lançamento levanta dúvidas. Pode ser uma jogada de caixa, uma forma de manter a marca em evidência num mercado mais fraco ou uma tentativa de se manter relevante entre os whiskeys de colecionador. Para ele, qualquer uma das hipóteses, ou nenhuma, pode ser verdadeira.
O que importa para quem coleciona: o crítico espera que a garrafa seja revendida no mercado secundário por bem mais que US$ 300, mas não acha que o decanter justifique pagar o dobro. Se aparecer perto do preço de lançamento, a recomendação dele é comprar. O lançamento mostra como as grandes casas usam séries limitadas, embalagens nostálgicas e estoques envelhecidos para alimentar o desejo de colecionadores.





