H. Stern – Um Joalheria Que Brilha Verde e Amarelo


Entre as estrelas mundiais do mercado de joias, uma brilha verde e amarelo. Na mesma constelação da francesa Cartier, da italiana Bulgari e da americana Tiffany está a brasileira H. STERN. Joias com design exclusivo, que ficam marcadas para sempre. Esta é a filosofia da brasileiríssima joalheria, responsável por estabelecer uma nova escola de design de joias e por ter revolucionado o mercado mundial de pedras preciosas. Apesar de preservar o toque clássico, a H. STERN traz um toque inegável de modernidade no design. Resultado: anéis, brincos, braceletes, colares e relógios viraram objetos do desejo de famosas no mundo inteiro. Sharon Stone, Jennifer Lopez e Catherine Zeta-Jones estão entre suas clientes mais antigas.

O senhor Hans Stern nasceu em Essen na Alemanha, cego só começou a enxergar, com o olho direito, aos 2 anos de idade. Quando tinha 16 anos, fugiu da Alemanha nazista e veio para o Brasil. Aos 22 anos, trabalhava como datilógrafo em uma empresa de importação e exportação de minerais. Em uma viagem para Minas Gerais, ele conheceu as pedras brasileiras e, fascinado, as trouxe para a então capital e vendeu para os estrangeiros. Dali em diante, todos passaram a conhecer as Águas-marinhas, Turmalinas, Ametistas e Citrinos. Em seguida, no ano de 1945, o jovem empreendedor, após vender um acordeão Hohner por US$ 200, abriu a H. STERN em um pequeno sobrado na Rua Gonçalves Dias, em frente à tradicional Confeitaria Colombo. Inicialmente comprava e vendia apenas pedras preciosas. Enquanto a maioria dos joalheiros lapidava Rubis, Safiras e Esmeraldas, ele se aventurava pelos garimpos do sertão brasileiro viajando sobre lombo de burro em busca das Ametistas, Topázios, Turmalinas e Águas-marinhas nacionais.

Insatisfeito com o padrão de qualidade de lapidação e ourivesaria, Hans chamou artesãos europeus para trabalhar na sua empresa. Preocupado com a qualidade, criou, ainda em 1949, um Certificado de Garantia Internacional para atestar o valor de suas joias e que autorizava a troca do produto durante um ano, o que possibilitava a quem não se afeiçoasse ao presente recebido a possibilidade de trocar por outro. Pouco depois, ainda neste mesmo ano, a primeira loja foi erguida no porto carioca. Localizada onde atracavam navios vindos da Europa e dos Estados Unidos, geralmente cheios de turistas, foi estratégico e determinante para o sucesso inicial de sua empreitada. A jogada de marketing naquele tempo era mostrar aos turistas como as joias eram produzidas.

Logo depois inaugurou outra loja dentro do hotel Quitandinha em Petrópolis. Nos anos 50, a H. STERN lançou uma série de iniciativas pioneiras para atrair clientes estrangeiros que visitavam o Rio de Janeiro. Montou uma visita guiada pelas oficinas de ourivesaria de forma que os visitantes pudessem acompanhar todos os passos do delicado trabalho que envolvia a produção de uma joia. Em 1958, foi a primeira joalheria da América Latina a montar um laboratório gemológico para analisar pedras preciosas e metais nobres, e pesquisar novas matérias-primas. Por ali passam até hoje todas as pedras preciosas usadas pela empresa. Na década de 60, o design H. STERN já era referência, não somente no Brasil, como também no mundo. Reis e rainhas, artistas e um sem-número de celebridades visitavam a matriz da H. STERN, no Rio de Janeiro. Do pequeno escritório de exportação, Hans passou à produção de joias e lapidação de pedras. Em 1964, quando se preparava para ir à Europa expandir a empresa, a renomada revista americana Time publicou uma matéria em que ele aparecia como o rei das gemas de cor. Depois da revista americana, vieram muitas outras publicações: Financial Times, New York Times, The Wall Street Journal, Reader’s Digest, Elle, Marie Claire, Vogue e Harper’s Bazaar. O reconhecimento da mídia veio na proporção em que a H. STERN crescia e conquistava clientes famosos e poderosos.

Um dos passos mais importantes para a empresa ocorreu com a inauguração, em 1983, de sua sede mundial, localizada em Ipanema, no Rio de Janeiro. Foi o primeiro prédio no mundo construído para abrigar todos os setores do processo de fabricação de uma joia: oficinas de ourivesaria e lapidação, escritórios, loja, etc. Na ocasião, a bela atriz Brooke Shields foi convidada para a inauguração e participou de um desfile beneficente. Nada, porém, deu tanto prestígio à joalheria quanto o lançamento da coleção Catherine Deneuve, a inesquecível musa do filme “A Bela da Tarde”, nos anos 80. Joias com a personalidade da atriz e assinatura na forma de letras CD espalharam-se pelos pulsos e pescoços de clientes famosos no mundo. Foi a primeira joalheria brasileira a lançar joias inspiradas em grandes artistas.

Nas mãos do filho de Hans, Roberto Stern, a empresa passou por uma reestruturação interna na década de 90, profissionalizando processos. O produto começou a acompanhar de perto as tendências de comportamento de moda e consumo e foram criadas várias joias inspiradas em personalidades. Surgiram coleções como a da empresária de moda Costanza Pascolato (1997), do músico Carlinhos Brown (1999) e da dupla de designers de móveis Fernando e Humberto Campana (2001). Entre as pedras, a H. STERN criou lapidações de formato orgânico em pedras como o Cristal e o Citrino. Foi preciso reeducar os lapidários, acostumados a buscar a simetria na lapidação, para que fizessem cortes assimétricos, tal qual uma pedra bruta.

O ano de 2003 foi marcado por importantes acontecimentos para a empresa: participou pela primeira vez na feira de relógios e joias de Basel na Suíça, considerada a vitrine das principais grifes de luxo do mundo; e começou a trabalhar com uma rede de parceiros para representar a marca em países da Europa, Oriente Médio e Estados Unidos. A partir de então, a H. STERN passou a distribuir seus produtos através de sofisticadas lojas de departamento (como por exemplo, Harrod’s, Neiman Marcus e Selfridges) e outras joalherias, sempre com a utilização de corners e expositores com sua marca, para preservar a filosofia e imagem que construiu durante décadas. O auge do design de pedras aconteceu em 2004, quando, após três anos de intensas pesquisas e desenvolvimento, a H. STERN lançou o diamante Stern Star, de lapidação exclusiva, com formas orgânicas. Nos últimos anos a empresa também expandiu o negócio para além do segmento de joias, com a abertura de um SPA, um restaurante e uma loja de artigos de decoração. Ao longo de 60 anos, a H. STERN se consolidou como uma joalheria de enorme prestígio. Hoje, a marca é sinônimo de beleza e bom gosto no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova York, Paris, Frankfurt, Tel Aviv e em outras importantes cidades ao redor do mundo.

O design diferenciado da H. STERN foi fundamental para o reconhecimento da marca e seus produtos no mundo. Para isso, uma equipe de especialistas vindos do exterior ensinou os primeiros passos aos ourives e lapidários da empresa. Afinal, Hans sempre prezou muito pela manufatura. Uma pedra tem exigência de regularidade, simetria, proporções, dimensões, entre outros fatores. Então, ele trouxe lapidadores do exterior e formou uma escola aqui. Hoje em dia, a lapidação da H. STERN é uma das melhores do mundo. São 600 ourives que trabalham entre as oficinas do Rio de Janeiro e São Paulo. Não existe joalheria no mundo com isso. Na década de 90, o foco passou a ser ainda mais no design e a imagem e comunicação da marca são unificadas. Nesta época, opta-se também por ampliar o portfólio de produtos, inicialmente com o lançamento de uma coleção mundial com 16 tipos diferentes de joias. Cada linha contava com produtos que tinha em torno de 10 a 15 peças. Passou a ter as mesmas peças espalhadas por todas as filiais. Houve também uma padronização da arquitetura das lojas. Quem olhava pela vitrine já sabia que ali era H. STERN.

Os vendedores receberam o mesmo treinamento e os mesmos códigos de vestimenta (uniformes). Para a equipe de vendas, houve treinamentos específicos. Há uma universidade para os vendedores e um candidato passa de oito meses a um ano estudando. Eles fazem provas e tem que ter média de oito e meio, além de contarem com supervisão nos primeiros meses de venda. No quesito produto, a fabricação de peça pode levar até dois anos para ser finalizada e envolve até 1.500 funcionários. A ideia sai em conjunto. O departamento de marketing, de produto, de embalagem, de comunicação, de venda e de treinamento, todos faz parte do processo para vender este novo produto. Desde sua fundação a H. STERN, que já recebeu 23 prêmios pelo talento de seus designers e artesões, se transformou em uma das marcas de joias mais criativas do mundo, produzindo peças com design de vanguarda e sempre lançando novas técnicas de ourivesaria e lapidação.

Com mais de seis décadas de existência a marca é cravejada das melhores estratégias de marketing. Outra estratégia importante é a da comunicação. A joalheria foi a primeira a realizar desfiles no Brasil ainda em 1959. Hoje, eles fazem 300 desfiles intimistas por ano. A publicidade inicialmente foi vista nos catálogos e em ações de marketing direto. Mas o grande diferencial vem das lojas. A marca sempre usou o ponto de venda como forma de comunicar a marca. Desde o início, organiza visitas guiadas que mostram todo o processo de fabricação de uma peça, e que atraem atualmente mais de 10.000 visitantes. Na sede da empresa (um prédio de 17 andares com 14 mil metros quadrados), em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, há ainda um museu com mais de mil pedras lapidadas e minerais da coleção de Hans Stern. Fazer uma boa relação pública também é parte importante desta estratégia. Regulamente a empresa recebe jornalistas de todas as partes do mundo e anualmente os leva para Minas Gerais, para dentro de uma mina. Com isso, celebridades mundiais são flagradas com as joias da grife em festas como a premiação do Oscar em 2001, quando a deslumbrante atriz Catherina Zeta Jones usou um colar em água-marinha e diamantes na noite de gala do evento. Um estudo encomendado pela própria empresa mostrou que se a grife tivesse que pagar pela publicidade gerada, a conta seria de US$ 10 milhões. Detalhe: o brinco (emprestado) valia US$ 160 mil. O mesmo aconteceu com Angelina Jolie ao usar um exemplar de US$ 10 milhões na premiação do Oscar em 2004. Recentemente, a bela Katie Holmes, em clima de praia e veraneio, estrelou como musa da campanha de Verão 2012 da joalheria, em fotos que exaltam o lado feminino, sensual e exuberante da atriz.

Além disso, nos últimos anos a H. STERN lançou diversas coleções inspiradas nas artes plásticas, na arquitetura, na música e na moda. Também criou campanhas e catálogos inovadores, conseguindo até espaço dentro de renomados museus e galerias de arte. Tanta exposição fez a H. STERN entrar no Guide de Luxe, o famoso guia das principais empresas de luxo do mundo. Outro objetivo da marca é a fidelização do cliente. Isto é feito tanto de forma corporativa, enviando cartões de aniversário, de Natal, dando facilidades, quanto no atendimento direto na loja, com o vendedor. Hoje em dia a marca está presente em editoriais de moda das mais conceituadas revistas internacionais e enfeita celebridades do mundo todo. Nada mais natural para uma joalheria que tem nome de estrela (Stern, em alemão).

Desde sua fundação até os dias de hoje, a H. STERN cresceu, se renovou e seu logotipo acompanhou esta evolução através dos anos. O atual logotipo foi desenvolvido no ano de 2002 pelo renomado designer inglês Neville Brody, que agregou modernidade, agilidade e dinâmica a marca. O logotipo de personalidade forte é simples, mas com um S arrojado, que simboliza também a silhueta feminina, um tributo à nova posição e conquistas das mulheres na sociedade atual.

“Ida e vindas no tempo são a alma da joalheria. Buscamos inspiração no passado, mas a interpretação tem que ser atual. Imaginamos o futuro, atendo-nos às técnicas de hoje. É uma questão de viajar no tempo, de quebrar barreiras, de buscar o novo, sem esquecer nossas raízes.”     -Roberto Stern

Imagens via: Cris Vallias, Decoração Para Casa, Gente, Brasil Mais, Machado Joalheiro, Casa de Sucesso.

Editora de conteúdo: Carla Cruz.

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